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Escola não é lugar de criança doente

Com a ida do Nicolas para a escola, vi como é comum as mães levarem os filhos doentes para o ambiente escolar. Muitas vezes sem ter com quem deixá-lo, elas prejudicam o filho e os demais coleguinhas.

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Por Mariane Cruz

Desde que Nicolas começou a estudar, esse ano, não tivemos mais sossego em relação à saúde dele. No fim da primeira semana de aula já veio a febre. Gripe, garganta inflamada, catarro, febre, tosse. Perdi as contas de quantas vezes fomos para o pronto-socorro e pediatra. Perdi as contas de quanto gastei com remédio e quantas noites passei em claro. Eu e o pai dele.

Tentei remédio para fortalecer a imunidade, homeopatia, vitamina, etc. Emendava uma gripe na outra. Só tivemos descanso durante o recesso escolar do meio do ano. A pediatra dele até sugeriu que mudássemos de escola e considerei exagero. Até que em um mês ele precisou tomar antibiótico duas vezes e 15 dias depois apareceu febril de novo. Pensei e disse: chega! Não dá mais. Ano que vem, ele volta. Precisamos de descanso.

Sei que nem todas as mães podem tomar essa decisão, mas se eu posso, por que não? A escola em que ele estuda é muito boa. Ele evoluiu bastante nesse período. Mas como toda escola tem suas vantagens e desvantagens. A mais grave, na minha opinião é aceitar crianças doentes no meio das crianças saudáveis. Já vi coleguinhas dele com febre, tosse e nariz escorrendo na sala de aula. Tive vontade de voltar com ele mas o deixei lá. Alguns dias depois, era ele que estava doente.

Pelo que percebo, isso é uma prática comum das escolas: aceitar crianças doentes. Se forem crianças maiores, acho até que não tem tanto problema, mas as do maternal não. Elas são muito frágeis. O sistema imunológico está em formação. Melhor evitar, não é mesmo?

Andei lendo que em alguns países, as escolas proíbem que crianças doentes entrem na escola. Chegam a perguntar, no ato da matrícula, sobre um plano B caso a criança adoeça, com quem ela pode ficar, como é o caso de Cingapura.

É falta de amor com o próprio filho tirá-lo de casa durante uma febre. Eles ficam molinhos, quietos, como vão acompanhar as atividades da escola? Sem falar na falta de consideração com as outras crianças e pais.

Como por aqui as regras não devem mudar, vamos sonhar em morar em Cingapura. Quem me acompanha?

Amamentação: hoje o recado vai para as grávidas de primeira viagem

Por Mariane Cruz

Li um dia desses uma matéria sobre a falta de incentivo dos médicos sobre a amamentação para as mães de primeira viagem, durante o pré-natal. Parei pra pensar e me vi ali.

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Cavalinho foi a única posição a que me adaptei durante a amamentação. 

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Irmãos: amor para vida toda

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Por Fernanda Teixeira

Ciúmes e birras são reações comuns da criança quando percebe que deixou de ser o centro das atenções dos pais com a chegada de um ou mais irmãos. E, nessa hora, os pais devem ter paciência, dialogar com o filho e estimular sua participação nos cuidados com o mais novo. Com o tempo, eles estarão brincando juntos, dividindo experiências e compartilhando um amor mútuo e verdadeiro.

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Eu te odeio mãe!

Menina com Raiva

Você já ouviu essa frase do seu filho?Mãe eu te odeio! Ou algo parecido como: você é muito chata! Eu já e foi bem engraçado.

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Mães Especiais

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Por Mariane Cruz

Conheci a Naza quando éramos estudantes, na Ufam. Eu fazendo jornalismo e ela, pedagogia. A Faculdade de Pedagogia tinha um Núcleo voltado para o atendimento de crianças especiais e ela participava do projeto. Jamais imaginamos que ela se tornaria mãe de um autista, alguns anos depois.

A entrevista da semana tem como personagem principal a pedagoga e mestra em Educação, Nazaré Ruiz, de 35 anos. Ela é mãe do Alexandre, de seis anos, e dos gêmeos Sophia e Guilherme, de 1. 

No final, tem um serviço mostrando que tanto a prefeitura quanto o governo do Estado dizem oferecer escola para crianças especiais.

Autismo

O Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: Inabilidade para interagir socialmente; Dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos;Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

Sintomas

O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. O mais comum é os sinais ficarem evidentes antes de a criança completar três anos.

BRASIL E MUNDO

Estimou-se em 2007 que no Brasil, país com uma população de cerca de 190 milhões de pessoas naquele ano, havia cerca de 1 milhão de casos de autismo, segundo o Projeto Autismo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. Atualmente o número mais aceito é a estimativa de que haja 2 milhões de pessoas com autismo, cerca de 1,0% da população. No mundo, a ONU (Organização das Nações Unidas) estima que tenhamos 70 milhões de autistas.

Abaixo a entrevista.

Mães Cricri: Havia alguma diferença no desenvolvimento do Alexandre quando ele nasceu? Como foi perceber que algo estava errado?

Nazaré: Esperar o primeiro filho é uma emoção indescritível. Já me sentia preparada, já trabalhava, estava formada e concluindo o mestrado. Tinha 28 anos. Me sentia pronta!
Ele nasceu de parto cesariana, por dois motivos: por eu ter passado por uma recente cirurgia de retirada de um dos ovários devido a um cisto estourado e por ser um bebê grandão.

Nasceu com 4,180kg. Não chorou de imediato, fez um barulho que lembrava o som de um ratinho. Levaram ele pra fazer os procedimentos normais e, depois de alguns segundos, ouvi seu choro mais forte. Não me mostraram ele logo. Fui conhecê-lo no quarto, algumas horas depois.

Alexandre sempre foi um bebê tranquilo, comilão. Sentou, engatinhou no tempo considerado padrão, andou com 1 ano e dois meses. Até aí, tudo normal. Comia de tudo. Frutas então… amava mamão e laranja. Mas, ele não falava… nada! A gota d’água do meu incômodo com a ausência da fala dele aconteceu quando ele já tinha dois anos. A partir daí, eu comecei a procurar ajuda com especialistas.
Mas, além da ausência da fala, percebi que meu filho não procurava outras crianças para brincar e eu nunca tinha percebido isso, pois ele aceitava quando as crianças o procuravam, mas nunca partia dele essa procura.

Mães Cricri: Como você se sentiu quando percebeu que realmente havia diferença?

Nazaré: Fiquei preocupada, angustiada com isso… Mas, no fundo achava que “ia passar” e que logo ele falaria e iria interagir com outras crianças.

Mães Cricri: E como foi quando veio o diagnóstico?

Nazaré: Quando comecei a ouvir falar da suspeita do autismo, senti que tinha engolido algo que ficou preso na minha garganta. Isso aconteceu quando ele tinha 2 anos e meio. Mas, ninguém me dava uma certeza por ele ser tão novinho. Quando ouvi o diagnóstico de autismo, foi como o mundo tivesse desabado… um buraco se abriu debaixo dos meus pés…E aquela imagem de filho perfeito tinha ido por água abaixo… chorei muito, muito mesmo. Olhei pra ele e pedi tantas desculpas, pois o que eu achava que era “manha”, era a maneira de ele me pedir ajuda.

Me emociono só de lembrar das vezes que perdi a paciência com ele… Ele tinha 4 anos.
Depois, senti a fase que chamamos de luto, sozinha… Não contei pra ninguém da minha família, pois eu sabia que eles também iriam “cair”. Eu precisava estar forte pra dar essa notícia. Então esperei me recuperar. E ao mesmo tempo, procurei me informar mais sobre o assunto. Apesar de ter participado de um núcleo de pesquisa em educação especial na faculdade, a gente nunca imagina que acontecerá conosco.

Mães Cricri: Quando você descobriu que estava grávida dos gêmeos, sentiu medo de acontecer de novo?

Nazaré: Senti muito medo de que um ou os dois viessem com autismo também… Mas, depois passou… eu já tinha superado a fase do ” luto”. Eu já tinha aprendido tantas coisas sobre ele que parei de pensar nisso. Passei a preparar a cabecinha dele para situá-lo e lembrar que logo ele ganharia um irmãozinho e uma irmãzinha.

Mães Cricri: Como tem sido as novas descobertas? Descreve pra gente o que tem sido bom e o que tem sido ruim, em relação ao Alexandre, com o nascimento dos bebês.

Nazaré: No início, Alexandre era indiferente com os bebês. Se ele pudesse sentar em cima, ele sentaria, pois pra ele, os bebês ainda não existiam na vida dele. Sempre pedia (e ainda peço) ajuda dele com os irmãos. Mas, para os autistas, tudo é rotina e logo os bebês fizeram parte da rotina dele. Percebi que eles já faziam parte da vida dele quando passeávamos em um shopping da cidade e estávamos lanchando, até que o Alexandre pediu pra ir embora. Pagamos a conta e nos levantamos. Ele sozinho começou a empurrar o carrinho dos bebês para irmos embora. Ali me emocionei. Alexandre já sabia que precisávamos levá-los também. Hoje, os bebês já têm 1 ano e 3 meses. Ele tem todo o cuidado. Não deixa eles chegarem perto do ventilador, não deixa eles mexerem nos botões da televisão. É muito legal ver isso. E os bebês aprendem muitas coisas com ele, por exemplo: dar tchau, pedir a bênção e outras coisas. Eles veem nele o irmão mais velho.

Não consigo ver algo de ruim na relação entre eles… Na verdade, nada é ruim. Até o cansaço é bom. (risos)

Mães Cricri: Que conselho você dá para as mães de crianças especiais?

Nazaré: Meu conselho às mães especiais… Acreditem no potencial dos seus filhos. Ter um filho especial é tornar-se mais humana, mais compreensiva, mais tolerante. Tudo que esse mundo precisa: de mais amor.
Estimulem seus filhos, procurem ajuda. Mostrem a ele o mundo. Dê tudo que uma criança precisa, até limites. Principalmente!
Deixem seus filhos crescerem. A proteção demasiada é prejudicial para o desenvolvimento dele. Deixem eles caírem, se possível. Apenas orientem que precisam levantar sozinhos. Que nem sempre vocês estarão por perto. Eles são tão puros… é verdade. Desconfio até que são anjos disfarçados… Mas, precisam conhecer o mundo.
Penso que ter dado ao Alexandre dois irmãozinhos foi o melhor presente que eu pude dar na vida dele! Pois, faz tão bem pra ele…
Ser mãe do Alexandre, sem dúvida, me tornou uma pessoa melhor.

SERVIÇO
As redes estadual e municipal de ensino têm um trabalho voltado para as crianças com necessidades especiais.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informa que possui 1.915 alunos com deficiência. Do total, 1.110 estão inclusos em 70% das 501 escolas da rede, tanto no diurno, quanto no noturno. Há ainda 470 matriculados na Escola Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo e também 345 alunos parcialmente incluídos. Esses alunos são de 24 classes especiais, sendo 15 alunos com deficiência por turma.

Já a Seduc tem quatro escolas que atendem essas crianças: 1) Escola Estadual Joana Rodrigues – Área de deficiência visual (estimulação precoce até o 2ano do primeiro ciclo); 2) Escola Estadual Augusto Carneiro – Área de deficiência auditiva; 3) Escola Estadual Manoel Marçal – Área de deficiência intelectual, autismo, síndrome de down e paralisia cerebral; 4) Escola Estadual Diofanto Vieira Monteiro – Oficina Pedagógica para alunos com deficiência intelectual. (para alunos maiores de 14 anos).

Os pais que desejarem matricular seus filhos nessas escolas, deverão primeiramente cadastrá-los no site ou na central de matrículas da Seduc, e comparecer na escola desejada com o laudo médico e os documentos necessários em mãos.