E assim nasce o amor…

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Por Karlla Marinho

Olá, hoje eu quero compartilhar uma história de amor, mas não é daqueles entre homem e mulher e sim daquele que só quem é mãe entende.

Há um ano e sete meses, na cidade de Goiânia, nascia uma princesa linda chamada Manuela, filha da minha prima. Até então, tudo normal, mais uma criança abençoada, cheia de saúde “vinda ao mundo”, mas a surpresa para família, principalmente nós que estávamos tão distantes, em Manaus, foi a forma que a minha prima Heloise (mãe da Manu) escolheu fazer o parto.

A Manu nasceu de parto normal domiciliar, em uma chácara distante do centro da cidade.  Eu acompanhei por fotos pelo whatsApp e foi muito emocionante. A coragem e força dela foram tão inspiradoras que eu tive que entrevista-la para compartilhar tudo com os leitores do blog.

MC – Heloise se apresente para nossos leitores.

Heloise Gontijo – Olá pessoal, meu nome é Heloise Marinho Gontijo Lucas, tenho 31 anos e sou casada há 11. Tenho um casal de filhos, o Rahel de 13 anos que nasceu de cesariana em Brasília e uma filha de 1 ano e 7 meses que nasceu em Goiânia, de parto normal domiciliar, chamada Manuela.

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MC – Como foi a sua primeira gravidez? Quantos anos você tinha e  como recebeu a notícia?

Heloise Gontijo – Meu primeiro filho veio de um relacionamento da minha adolescência. Namorávamos há 4 anos e quando veio a notícia da gravidez eu estava terminando o ensino médio, acabara de completar 18 anos.

Não foi fácil enfrentar a família, só contei que estava gravida no terceiro mês de gestação. Eu saí de Porto Velho e fui morar com pai do meu filho em Brasília e comecei meu pré natal bem tarde.

MC – Além da gravidez, você ainda teve que lidar com a mudança de cidade e um casamento repentino (pacote completo rss). O que te levou a optar pelo parto cesária?

Heloise Gontijo – Meu pré natal começou com mais de 5 meses e foram poucas consultas. Eu não achava que tinha que “discutir” com o médico que tipo de parto eu queria. Achava que era parto normal para todo mundo e pronto. Um dia antes do meu filho chegar tive uma consulta e fiz a ecografia. Fui informada de que ele estava prontinho, pulmão bem desenvolvido e a médica até brincou “se ele chegar amanha não vai ter problema”. Então no dia seguinte, às 6h da manhã a bolsa rompeu. Meu médico estava de plantão e fui procurá-lo para uma avaliação e ele me encaminhou para o hospital. Lá, eu só percebi que seria operada já no centro cirúrgico quando aplicaram a anestesia. Foi então que a “ficha caiu”. Do meio para final da cirurgia tive dificuldade de respirar e engolir, como se eu estivesse paralisada da boca para baixo. O Rahel nasceu com 32 semanas pesando 2.200kg, medindo 46 cm.

MC – E como foi a sua recuperação?

Heloise Gontijo – Eu não tive grandes complicações. Tive dificuldade para urinar, senti muita dor ao amamentar e depois do parto tive de ser medicada por mais 7 dias, mas as dores que eu sentia só pararam após um mês.

MC – E a segunda gravidez, como estava a sua vida, quais foram as diferenças mais marcantes?

Heloise Gontijo –Na segunda gestação eu já estava com 30 anos e casada com o meu atual marido. A Manu não foi planejada, mas foi muito desejada e contei com o apoio de toda a família. Desta vez, eu estava emocionalmente preparada para essa experiência.

MC– quando surgiu a vontade de experimentar o parto normal?

Heloise Gontijo – Desde o primeiro filho ficou o desejo de sentir a experiência do parto. Primeiro pensei que não poderia, porque acreditava no mito do “uma vez cesárea sempre cesárea”. Mas fui lendo mais sobre o assunto e descobri que poderia sim tentar o parto normal. Depois, descobri o parto humanizado. Li muito sobre intervenções desnecessárias tanto na mãe quanto no bebe  e sobre a fisiologia do parto, estudos científicos, e o que eu encontrava pela frente. A internet e o Facebook foram ótimas ferramentas para descobrir mais sobre esse assunto. Eu também assisti o filme “O Renascimento do Parto” e mais tarde conheci a equipe de parto domiciliar que atua em Goiânia e assim decidi, em conjunto com meu marido, pelo parto domiciliar planejado.

MC – O segundo parto foi em uma chácara, um pouco afastado do centro da cidade, mas o que te influenciou na escolha do lugar?

Heloise Gontijo – Primeiro o tabu! A família do meu marido não sabia de nada, pois sabemos que há um certo preconceito em relação parto domiciliar seja por medo ou ignorância. Depois foi a questão do barulho. Eu sabia que meu parto não seria “fofinho” como a gente vê nos vídeos do youtube (muitos risos). A chácara fica cerca de 20 km do hospital mais próximo, mas é um lugar que tanto eu quanto meu marido nos sentíamos em casa.

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MC – Quais foram os preparativos, os cuidados que você precisou tomar para um parto seguro?

Heloise Gontijo – Teve muito planejamento e nesse período mantive um relacionamento próximo com a equipe para ter confiança no trabalho deles. Conhecer os materiais levados para o domicilio e entender cada passo desse processo foi me deixando mais tranquila. Também Fizemos o trajeto de carro para marcar o tempo até a maternidade, caso houvesse necessidade de uma intervenção.

Além disso, a equipe do parto já me acompanhava de perto desde a 30 semana com consultas em casa, de 15 em 15 dias, e depois toda a semana;

MC – Quem participou do parto?

Heloise Gontijo – Esteve presente a equipe composta por enfermeiro obstetra e uma doula, além do meu marido e de minha irmã que participaram ativamente de todo o processo. Minha mãe, outra irmã e meu filho mais velho estavam em casa, mas preferiram ficar em outra parte da casa esperando o parto terminar.

 

MC – Quantas horas durou o processo de parto?

Heloise Gontijo – Minha primeira contração dolorida foi às 22h do dia anterior, mas eu fui dormir. Durante a madrugada, em torno das 2h da manhã eu já não conseguia dormir e fui para o chuveiro. A equipe chegou as 11h e ela nasceu às 14h com 3,5kg e 50 cm.

MC – Você pensava em que durante o processo?. A dor te fez pensar em arrependimento?

Heloise Gontijo – Foi intenso, não vou mentir, doeu sim, mas eu não cogitei desistir. O chuveiro, a música, rebolar, as massagens me ajudaram a passar por todo o processo. Eu pude beber e comer p me sentir mais disposta. Eu pesquisei bastante e já sabia o que esperar e saber que elas iam e vinham como uma onda, me tranquilizava durante as contrações.

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MC- Ter o esposo, filho, os pais e irmãs com você tornou o momento ainda mais especial?

Heloise Gontijo – Foi ótimo ter o apoio do meu marido do início até o fim. Minha irmã ao meu lado também me trouxe muita força.

 

MC – quem cortou o cordão umbilical?

Heloise Gontijo – Além de receber nossa filha nos braços, meu marido ainda cortou o cordão. Este momento era para ser do irmão mais velho, mas ele tem uma certa aversão a sangue e não se sentiu confortável em fazê-lo.

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MC – Como foi a sua recuperação pós parto?

Heloise Gontijo – Depois de terminado tudo, eu tomei banho, comi e amamentei com tranquilidade. No dia seguinte eu dei o primeiro banho nela.

Voltar a usar absorventes não foi nada confortável, mas isso era esperado. Eu tive uma pequena laceração, mas não precisou de pontos.

MC – O que mudou depois dessa experiência?

Heloise Gontijo – Me senti muito realizada, guerreira e forte. Agora eu sei do que sou capaz. Sei a força que eu tenho e minha forma de olhar para a maternidade mudou muito também.

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MC – Depois das duas experiências, você recomenda  o parto normal, seja em hospital, em casa, ou clínica especializada?

Heloise Gontijo – Sem dúvidas, minha experiência foi muito prazerosa e recomendo muito o parto domiciliar planejado, mas eu sei que não é toda mulher que se sente confortável e segura fora do ambiente hospitalar e eu respeito isso e vou apoiar toda e qualquer mulher em sua escolha.

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Pelas fotos acho que deu pra sentir um pouco dessa emoção. Eu amei compartilhar essa história com vocês. Eu sou mãe de duas meninas, todas de parto cesária onde eu se quer tive a chance de escolher se queria tentar o parto normal, uma pena. O que eu percebi, ouvindo relatos de amigas próximas e até por experiência, é que muitos obstetras aconselham o parto cesária.

Compartilha a sua experiência também e ajude outras mamães que ainda estão indecisas com relação ao tipo de parto.

Um grande beijo e até a próxima.

 

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Publicado em 12 de julho de 2016, em Vamos passear?. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Linda reportagem, um nascimento é sempre emocionante, e quando toda a família participa…. um parto humanizado

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