A aventura de ser pai de CINCO MENINAS!!

marquinho

Por Mariane Cruz

Vou pedir licença às mamães que nos seguem para abrir espaço no blog para um pai. Mas não é um pai qualquer. É um pai de CINCO MENINAS!!!

Marquinho, como chamo o Marcos Tupinambá, 36, é formado em Relações Públicas pela Ufam e Produção Audiovisual pela UEA. Estudamos juntos na UFAM e ele sempre teve um jeito molecão. Aos 22 anos, ainda na faculdade, foi surpreendido com a notícia de que seria pai de gêmeas!!! Mais tarde, após a separação da mãe das gêmeas, ele casou com a Sara, que já tinha uma filha e teve mais outras duas. No total, cinco meninas moram juntas – a Luna e a Mahara (13 anos), a Victória 12 anos), a Kiara (3 anos) e a Naomi (10 meses), além dele e da Sara.

Aqui ele conta como é ser pai só de meninas e como tudo começou. Dá uma lida. Tá muito legal!!

Blog Mães Cricri: Marquinho, como foi saber que seria pai tão jovem? Como foi avisar a família e o que você sentiu naquele momento?

Marquinho: Saber que seria pai foi uma mistura de tensão e euforia, naquele momento eu já não morava na casa dos meus pais mas ainda não tinha uma independência financeira e morava com minha então companheira, na época com 19 anos, no apartamento da mãe dela. A gente conversava sobre ter filhos e até sobre ser pais no início da fase adulta mas seria algo pra mais adiante. Não foi. Quando recebi a notícia senti uma dormência no cérebro e demorei alguns minutos pra processar, mas assim que fui questionado “e agora?”, eu respondi “agora eu vou ser pai”.

Uma coisa que sempre aprendi com meu pai foi assumir minhas responsabilidades e se até o momento praticava isso em outros aspectos da minha vida, com a paternidade não seria diferente. Mesmo assim deu um frio na barriga.  Avisar meus pais não foi tão difícil, mesmo sabendo que a receptividade não seria das melhores, tinha certeza de que passada a tempestade meus pais me apoiariam em minha decisão.

Com minha mãe foi mais fácil, ela até comemorou, na verdade. Meu pai não. Lembro bem a palavra mais bonita que ouvi na hora: “irresponsável”. Preparado pra situação, estrategicamente, chamei a companheira pra ouvir junto (sabe aquele negócio de pedir pro amigo falar com seu pai pra dormir na casa dele? Pois é.) e assim palavras de ira transformaram-se em frases amenizadas de frustração quanto ao nosso futuro e lição de moral como: “não é isso que um pai sonha pro filhos”, “vocês são novos”, “a responsabilidade é de vocês” e finalizando com “podem contar com nosso apoio”.

O que o Seu Tupi, meu pai, não contava era que na semana seguinte minha irmã mais nova anunciaria também estar grávida. Infelizmente ela não tinha o companheiro ao lado pra amenizar a bronca. E que bronca! Mas como família nos mantivemos. Se o apoio valia pra um, valia pra dois. Só que como dizem “a vida é uma caixinha cheia de surpresas”, e na semana seguinte na primeira ultrassom o médico anuncia: “maninhos são dois”! E aquele sensação de êxtase e tensão voltou à cena. Desta vez não tive coragem pra contar ao vivo. Peguei o telefone e: “pai, são dois”, que mais tarde revelaram-se duas. Ouvi apenas a celebração de minha mãe ao seu lado. Seja lá o que Deus quiser. E assim foi.

Blog MC: Como é a relação de vocês? E como foi a interação das gêmeas com as irmãs? Moram todas juntas?

Marquinho: Desde minha separação da mãe delas falei que a única coisa que não seria era pai de “fim-de-semana”. Já tive a experiência de ter pais separados, duas vezes (uma longa e outra história), e lembro como era difícil só poder ver meu pai aos fins de semana ou deixar de ir pra casa de algum amigo no final de semana pra ter que ficar com meu pai por não querer magoá-lo ou coisa do tipo. Definitivamente não queria que com minhas filhas fosse igual. Felizmente, a mãe delas também não queria que elas perdessem esse vínculo e mesmo sem saber o que era estabelecemos na época uma guarda compartilhada. Isso em 2005/2006, as meninas tinham 4 anos. Pouco se falava sobre isso e muita gente a criticou e a mim também. Mas levamos o plano adiante e sou grato a ela por isso.

Anos depois conheci minha atual esposa, que também tinha uma filha quase da mesma idade das minhas. Ela morava com uma amiga, que tinha um filho da mesma idade. Final de semana juntávamos todos na casa delas e era uma grande bagunça, as crianças adoravam.

O negócio foi ficando sério e um ano depois estávamos morando juntos, nós cinco. A amiga mudou-se pra Brasília. A adaptação à nova família não foi fácil. Se em uma família convencional sempre tem gente pra dar “um conselho”, imagina em um família em que os núcleos não dividiram-se mas multiplicaram-se.

Além da sua família tem a mãe, a família da mãe, a outra mãe, a família da outra mãe, o outro pai e a família do outro pai. É confusão na certa. Mas decidimos que estávamos dispostos a levar isso adiante e aos poucos todos foram se adaptando na medida do possível. Então após 3 anos juntos veio a notícia: a Sara, minha atual esposa, estava grávida. Apesar de não ser planejada a gravidez foi até bem recebida por todos. Claro, Seu Tupi sempre preocupado achava que era gente demais. Lembrei a ele que em casa somos 4 irmãos, no que ele retruca que “os tempos são outros”. Sempre são. Mas tudo bem, pra mim os tempos eram outros, mas pra melhor. Já estava mais estável financeiramente, com a família adaptada à nova fase e sem sinal de crise à vista.

Kiara foi celebrada por todos inclusive pelas irmãs, já com 10 anos. A Vivi que vez ou outra tinha uma crise de ciúme por perder um pouco da atenção da mãe e da família da mãe. Mas aos poucos foi se encantando pela irmã. A casa que já não era grande, encolheu. Em 2013 a mãe das gêmeas mudou-se para o Rio de Janeiro. As meninas não quiseram decidir com quem ficar com medo de magoar um dos dois. Decidimos nós, nada mais justo.

Elas ficariam aquele ano com a mãe e caso não se adaptassem retornariam. Foi uma época difícil para todos nós. A casa ficou mais vazia. Mas após um ano retornaram. E festejamos.

Em 2014 mais uma surpresa: “amor, tô grávida”. Sempre fui um cara otimista mesmo diante das adversidades, mas essa confesso que tivemos várias dúvidas se levaríamos adiante. Cinco filhas, cinco mulheres, no Brasil. Após muita reflexão a decisão em conjunto: Que venha! E assim chegou a Naomi, ou Naná como a chamamos. O xodó da casa, até do Seu Tupi, a bebê-sorriso. E não me arrependo de ter trazido ao mundo cada uma delas, junto de suas mães claro e todas as famílias e amigos envolvidos no processo.

Blog MC: Como é fazer parte de um universo todo cor de rosa? Como faz pra se adaptar? Qual a parte mais difícil de ser pai só de meninas?

Marquinho: Ser pai de cinco mulheres é ser modelo para experimentos de maquiagem, ter o cabelo mexido e remexido várias vezes para o “concurso de penteado para homens”, sendo você o único homem da casa. É ser aluno nas brincadeiras de escola. É reaprender a andar de patins para levá-las ao parque dos bilhares nas quartas e conhecer os youtubers do momento para entender o que estão falando. É saber trocar fraldas e que existe uma grande diferença entre absorvente e protetor diário.

É também saber que seu carro vai viver cheio de tralha entre restos de maquiagem perdidas, barbies e mordedores espalhados e absorventes para emergência no porta-luvas. Saber que dificilmente você chegará no horário nos eventos sociais e “espero no carro” será uma frase constante em sua vida. E você vai esperar. Mas é ter a certeza que você receberá muito carinho e será coberto de beijos e abraços todos os dias quando chegar depois de um dia cansativo de trabalho. E fácil? Ninguém falou que seria. Especialmente quando estão doentes ou tem compromissos diferentes. Mas não imagino minha vida de outro jeito.

Blog MC: E um menino? Quando vêm? rsrs

Marquinho: Quanto ao menino, não obrigado, provavelmente não saberia sequer por onde começar.

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Publicado em 24 de novembro de 2015, em Cricris Convidados. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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